focinho gelado


focinho de casa nova!

 

Quarta-feira de cinzas.

 

Bem, agora que o ano finalmente começou – é verdade, o ano no Brasil só começa depois do baticundum carnavalesco – resolvi mudar de casa. Pelo menos na web, já que em realidade ainda continuo a residir em Texas Leste City.

 

O Bloguol é um dos serviços mais ordinários e xexelentos que esse provedor já teve a infelicidade de oferecer. Por um lado, tem vantagens para mexer com os links de preferidos, além de colocar imagens nos textos sem ter a necessidade de salvar na máquina ou procurar links, etc. Por outro lado, te proíbe de publicar textos mais extensos e oferece templates horrorosos, e pra quem não sabe ou não tem paciência pra mexer em html como eu (não sei e não tenho paciência), optei por ir ao bom e velho Blogspot, que evoluiu bem. No meu novo blogue, espaço para falar de outras coisas além de cinema, como música, literatura e a vida que corre. A partir de agora, acessem a O FOCINHO DE PAVLOV, e prometo, prometo MESMO, atualizar este com mais freqüência que o focinho gelado, que já estava, na verdade, congelando de tão abandonado, com praticamente um texto a cada mês. Para os queridos e camaradas que têm link do meu blogue em seus respectivos espaços na web, por favor, atualizem. O endereço agora é este:

 

http://focinhocerebral.blogspot.com

 

NOS VEMOS LÁ!

 

CIAO



Escrito por fernando roveri (muzzleman) às 23h09
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BADASS MOTHAFUCKA SONGS!

 

Olha só, minha gente.... acabei de baixar esse disco TRIPLO com o que há de melhor em trilhas sonoras de blaxploitations. É coisa fina, digo dignidade mesmo. James Brown, Curtis Mayfield, Marvin Gaye, Ike & Tina Turner e o INCRÍVEL Gil Scott-Heron, entre outras maravilhas. Puta que pariu, que discaço. Tá faltando uma pista na noite paulistana pra tocar esse tipo de som. Indiezada, vamos evoluir? 

 

O som é realmente DO BEM. Até para quem não conhece esses artistas, é uma forma de adentrar a esse universo magnífico que fez história tanto no cinema quanto na música nos Estados Unidos na década de 70. Vários clássicos do blaxploitation foram relançados em dvd naquele país, remasterizados e com extras, mas aqui.... NADA. O jeito é apelar para a mula, torrents e afins. Por enquanto, fica a dica, ouçam, please. Se você tá meio de bode, como eu, pode ter certeza que seu astral vai mudar. Clique nos Discs pra baixar.

 

 

Disc 1
1 James Brown - The Boss
2 Cymande - Brothers On The Slide
3 Kool & The Gang - Jungle Boogie
4 Marvin Gaye - 'T' Plays It Cool
5 Curtis Mayfield - Freddie's Dead
6 Syl Johnson - Different Strokes
7 Lightnin' Rod - Sport
8 The Last Poets - It's A Trip
9 The Politicians feat. McKinley Jackson - The World We Live In
10 Ike Turner's Kings Of Rhythm - Funky Mule
11 Joe Tex - I Gotcha
12 Mavis Staples - Chocolate City
13 Pee Wee Ellis - Moonwalk
14 The Meters - Tippi Toes
15 Gil Scott-Heron with Brian Jackson - Back Home

 

Disc 2
1 Curtis Mayfield - Superfly
2 Eddie Kendricks - My People...Hold On
3 The Temptations - Papa Was A Rollin' Stone
4 Aaron Neville - Hercules
5 Cymande - Bra
6 The Notations - Super People
7 Maceo & All The Kings Men - Thank You For Letting Me Be Myself Again
8 Johnny Pate - Brother On The Run
9 Syl Johnson - Concrete Reservation
10 Ohio Players - It's A Cryin' Shame
11 The Rimshots - Neighbour! Get Your Own
12 Maceo & All The Kings Men - (I Remember) Mr. Banks
13 Ripple - Get Off
14 The Meters - Funky Miracle
15 Lee Dorsey - Yes We Can Can

 

Disc 3
1 The Last Poets - When The Revolution Comes
2 Gil Scott-Heron with Brian Jackson - The Bottle
3 Curtis Mayfield - Move On Up (live)
4 Sir Joe Quaterman & Free Soul - (I've Got) So Much Trouble On My Mind
5 The Whatnauts - Why Can't People Be Colors Too?
6 Ripple - A Funky Song
7 Mickey Murray - Mama's Got The Wagon
8 Alvin Cash - Doin' The Ali Shuffle
9 Sir Joe Quaterman & Free Soul - Give Me Back My Freedom
10 Ike & Tina Turner - Livin' For The City
11 Ohio Players - Cold, Cold World
12 Pee Wee Ellis - That Thang
13 Moody Scott - (We Gotta) Bust Out Of The Ghetto
14 Backyard Heavies - Soul Junction
15 Leroy Hutson - Cool Out

 

A senha é Makumba. Ouça e solte a PAM GRIER que há dentro de você!

 

 

Tô na pista, bunita!

 

 



Escrito por fernando roveri (muzzleman) às 10h16
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ADEUS, CANDEIAS

 

 

1922 - 2007

 

Ao chegar em casa hoje deparei-me com a triste notícia da morte de um dos grandes poetas da Boca do Lixo: Ozualdo Candeias, diretor do magnífico A Margem. Lírico, humanístico, atemporal, espiritual, genial, esse filme é, para mim, uma das maiores expressões do cinema brasileiro sobre relações humanas, relações amorosas, olhares incompreendidos e a morte. Lembro ter visto essa obra-prima pela primeira vez em 2002, e saí da sala de cinema desconcertado com tamanha beleza. O cenário lodoso, triste, miserável, enriquece a espiritualidade dos personagens, enriquecidos pelo olhar de Candeias, que deu a cada um a possibilidade de demonstrar suas visões sobre a vida, suas inseguranças, seus medos, seus destinos incertos.



Escrito por fernando roveri (muzzleman) às 23h20
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Sem tempo e ânimo pra atualizar o blogo. Pra não deixar na vaguidão específica, vai um trecho de um artigo escrito no final do ano passado sobre Coca-Cola Kid, ótima comédia de Dusan Majavejev, para a avaliação de final de semestre de Análise dos Sistemas Audiovisuais. Desencana, eu não sou acadêmico.

 

THE COCA-COLA KID

 

 

Se o cinema americano se rende largamente às grandes corporações, um diretor se destaca por ter ido à contracorrente contra a monopolização das corporações: o iugoslavo Dusan Makavejev, que dirigiu filmes subversivos, anárquicos e provocadores, com seqüências algumas vezes difíceis de “digerir”, em alguns momento beirando o escatológico, ou repletas de sexualidade esgarçada. Makavejev é diretor do polêmico Wilhelm Reich – Os Mistérios do Organismo, sobre a vida do psicanalista austríaco que criou o dogma sobre revolução sexual, apontando o sexo e a discriminação mundial do orgasmo como único meio de libertar o ser humano das tiranias e da escravidão. Reich morreu na prisão americana acusado de indecência e subversão em 1957.

 

Outro filme provocador, filmado no Canadá, é Sweet Movie. Neste, um grande empresário do mercado de açúcar manda realizar um concurso através do presidente da fundação dos cintos de castidade para conseguir uma noiva virgem. Na contracorrente, uma mulher anárquica passeia em um grande navio repleto de doces e açúcar, atraindo homens para depois matá-los.

 

Quando os discursos antiglobalização começaram a tomar forma, Makavejev dirigiu um de seus filmes mais acessíveis ao público: Coca-Cola Kid. Até hoje, a obra mantém a sua atualidade pela crítica ferrenha ao capitalismo arraigado e à massificação do mercado de bebidas através do imperialismo americano.

 

Coca-Cola Kid tem um enredo, no mínimo, excêntrico. O funcionário da Coca-Cola em Atlanta, Robert Becker, é incumbido da missão de ir até a Austrália para aumentar o número de vendas da bebida na longínqua ilha da Oceania. Ao vasculhar um mapa eletrônico do país, percebe que há um grande vazio de não-consumidores do produto. Descobre que a pequena cidade, chamada Anderson Valley, tem um pequeno produtor de refrigerantes que domina o pequeno mercado da cidade há décadas.

 

Nada melhor que um produto como a Coca-Cola para Dusan Makavejev vociferar contra os valores imperialistas dos Estados Unidos. Para começar, o empresário da Coca-Cola é um ex-fuzileiro naval, ou seja, no lugar da arma nas mãos, tem o produto. Quando finalmente consegue conversar com o pequeno produtor de refrigerantes, descobre que este foi casado com uma garota-propaganda da Coca-Cola que ele trouxe dos Estados Unidos. Após casar-se com ele e dar-lhe uma filha, comete suicídio. Esta filha, hoje, trabalha na sucursal da Coca-Cola na Austrália e é a secretária do empresário americano, por quem se apaixona. Dessa maneira, Makavejev constrói uma teia onde as críticas ao capitalismo estão inseridas de forma subliminar, portanto é possível ver as críticas que ele faz a essa massificação proposta pelo produto, e sua inserção, à força, da imagem da bebida na comunidade local, como os papais-noéis na cidade em pleno clima de verão australiano. E enquanto a pequena produtora de refrigerantes produz bebidas de diversos sabores possíveis, com produtos naturais, direto da fruta, a Coca-Cola só tem uma cor, um sabor, extremamente padronizado, ou seja, o sabor da América querendo ser espalhado por todo o mundo.

 

Através dessa comédia subversiva, Dusan Makavejev despeja sua fúria contra o imperialismo. O filme mostra desde a inserção dos valores capitalistas na sociedade até a forma de adaptação que a Coca-Cola nos países onde chega, como é especificada na seqüência em que o empresário contrata uma banda local, com um aborígene, para criar um jingle para a bebida. Enquanto o cinema americano se rende a tais valores e faz questão de incluir produtos e mais produtos em seus filmes, Makavejev utilizou largamente a imagem de uma das corporações mais poderosas do planeta para mostrar como os negócios são feitos. Mesmo que seja mais acessível que as outras obras do diretor, Coca-Cola Kid é um dos filmes fundamentais para discutir os valores da globalização na atualidade, pois é um filme cujos valores não envelhecem, do contrário, apenas se fortalecem. A cada dia, somos cada vez mais bombardeados com imagens interligadas a produtos, e sequer sabemos o que se passa por trás da criação dessas imagens.

 



Escrito por fernando roveri (muzzleman) às 00h44
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Saíram os indicados ao Oscareta!!!!

 

Ainda não vi todos os indicados, mas vão aí algumas sugestões:

 

Melhor Filme – estou seco pra ver o novo trabalho do bom e velho Uncle Clint, mas acho que já está na hora de ver a Academia tomar um bom Simancol e premiar o tio Marty, se não for por melhor filme, que seja por melhor diretor, afinal, OS INFILTRADOS pode não ser um de seus melhores, mas está entre uma de suas grandes realizações nos últimos anos desde o soberbo CASSINO.

 

Melhor Diretor – ressalto o que disse acima, se bem que Paul Greengrass e seu ponta-firma VÔO UNITED 93 merecem destaque. E ainda não vi o filme de Stephen Frears.

 

Melhor Ator – de todos esses indicados, conhece apenas o trabalho de Leonardo DiCaprio. Apesar de gostar do ator, não creio que esse seja um trabalho digno de Oscar, se bem que, depois da gigantesca decepção do ano passado, essa estatueta pode ir pra qualquer um mesmo....

 

Melhor Atriz – vistos apenas os trabalhos de Penélope e Meryl. Disparado a esplendorosa atriz de O DIABO VESTE PRADA.

 

No mais, nem me importei tanto assim com indicações e afins. Como já disse e ressalto, a palhaçada do ano passado fez com que eu me desinteressasse 90% em relação ao Oscar. É bem capaz de vermos PEQUENA MISS SUNSHINE levar o prêmio principal. Não desmerecendo o filme, que é bem bacana, mas entre um Clint e um Scorsese, é bem capaz que os velhotes escolham esta comédia por considerá-la, digamos, “simpática”. Né não?



Escrito por fernando roveri (muzzleman) às 18h34
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PARA FÃS DE COUNTRY E FOLK

 

The Shacklefords é obrigatório para quem aprecia música americana de raiz. O título enorme – Until you’ve heard the Shacklefords, you ain’t herad nothin’ yet – faz jus à qualidade do disco. Foi produzido por Lee Hazlewood, aquele grande e charmoso cantor que imortalizou canções românticas com Nany Sinatra. Ele escreveu a maioria das músicas deste disco e também, o primeiro dos dois álbuns lançados pelo grupo. Sua poderosa voz pode ser ouvida na faixa “Our Little Boy Blue” e também nos backing vocals. O primeiro single lançado pelos Shacklefords foi “A Stranger In Your Town” (faixa 6). Aclamadíssimo pela crítica, o grupo teve vida curta, mas até hoje é um nome notável e respeitados por apreciadores da verdadeira música country.

 

Críticas:

 

"The Shacklefords have come up with just about the doggonedest sound you've ever heard. And I'm surprised that no one thought of it before, because the idea of combining two of America's distinct native musical heritages—folk music and country music — is a natural. After all, the roots are basically the same—southern and southwest in origin — and the blend of the two is like putting together steak and potatoes."
Jack Tracy, Mercury Recording Director

"An interesting combination of folk and country music presented in an honest, warm and appealing manner" boasts the banner on the back sleeve... To "honest, warm and appealing" they could have added "bland." That's even though most of the songs were written, together or separately, by Lee Hazlewood and his sometime cohort Marty Cooper. And, yes, even though ace session men like James Burton, Hal Blaine, Billy Strange, and Al Casey play on the album. It's wholesome, pretty sterile whitebread folk-country, in the manner of many early-1960s folk LPs that were trying to be variety-show entertainment more than they were a vehicle for personal expression, or steeped in authentic folk music. Just one song, "Our Little Boy Blue," has the sort of eccentricity typical of much of Hazlewood's stranger work, with his dust-dry narration of a lyric impossible to pigeonhole as either cornball or put-on satire. Hazlewood's unmistakably deep, debauched-Johnny Cash-style vocals are heard from time to time (usually in the background), but only Hazlewood fanatics will want this in their collection."
Richie Unterberger, All Music Guide

 


 

The Shacklefords
Until you've heard the Shacklefords, you ain't heard nothin' yet

 
1 Mama Was a Cotton Picker
2 (There Goes) The Big Boss Man
3 Sweet Mollye (Life can be so Cruel)
4 Golden Bells
5 If The World Don't End Tomorrow (I'm Coming After You)
6 A Stranger In Your Town
7 Our little Boy Blue
8 Caro-Lyn
9 Big River
10 After That
11 Stand Up
12 You'll Never Have My Love So True

clique aqui para baixar o disco



Escrito por fernando roveri (muzzleman) às 23h01
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É MADEIRA DE JEQUITIBÁ!

 

RODA DE SAMBA (1973)

 

Esta raridade é obrigatória para qualquer apreciador de samba de raiz. Olha o timaço que está reunido nesta maravilha: Darcy da Mangueira, Chico Bondade, Aparecida, Sabrina, Rubens Mathias, Ary Araújo, Sidney da Conceição, Luiz Wanderley e Pedro Paulo. Parece que grande parte desses músicos não gravaram outros discos. É pra levantar qualquer astral, afastar todas as ziquiziras e se esbaldar com pelo menos duas faixas clássicas: “Desafio”, raridade composta por ninguém menos que Luiz Américo, e a deliciosa “Madeira de Jequitibá” pela voz de Rubão. Eu, amante do samba que sou, não consigo parar de escutar. Faça o mesmo e seja feliz. Afinal, quem não gosta de samba, bom da cabeça não deve ser.

 

01 - Água Boa É No Meu Poço (Chico Bondade/Paulo Sereno)
Interpretação: Chico Bondade
Samba do Trabalhador
(Darcy da Mangueira)
Interpretação: Darcy da Mangueira
02 - Boa Noite
(Aparecida)
Interpretação: Aparecida
Não Tem Veneno (Candeia/Wilson Moreira)
Interpretação: Sabrina
Venho de Longe (Rubens Mathias/Valdir Matias)
Interpretação: Rubens Mathias
03 - Desafio (L. Americo/B. de Castro)
Interpretação: Ary Araujo
04 - Cantei a Noite (Sidney da Conceição)
Interpretação: Sidney da Conceição
05 - Sá Dona (Giovana)
Interpretação: Sabrina
06 - Samba do Tatu (L. Wanderley/R. Evangelista)
Interpretação: Luiz Wanderley
07 - Madeira de Jequetibá (Rubens/Romildo da Portela)
Interpretação: Rubão
08 - Não É Mole (Pedro Paulo/Puruca)
Interpretação: Pedro Paulo
09 - O Couro Come (L. Wanderley)
Interpretação: Luiz Wanderley

Clique aqui para baixar



Escrito por fernando roveri (muzzleman) às 23h01
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2006 – OS MELHORES FILMES

 

Lista dos 10 melhores filmes do ano na telona. Lista pessoal sem grandes pretensões, meus amigos.

 

 

CACHÉ

Michael Haneke

 

 

O LABIRINTO DO FAUNO

Guillermo Del Toro

 

 

MUNIQUE

Steven Spielberg

 

 

O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN

Ang Lee

 

 

PONTO FINAL - MATCH POINT

Woody Allen

 

O CÉU DE SUELY

Karim Aïnouz

 

 

VIAGEM MALDITA

Alexandre Aja

 

 

TRÊS ENTERROS

Tommy Lee Jones

 

OS INFILTRADOS

Martin Scorsese

 

 

MENINA MÁ.COM

David Slade

 



Escrito por fernando roveri (muzzleman) às 14h44
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COMENTÁRIOS

 

2006 está acabando, graças a Deus. Não que tenha sido um ano ruim. Começou ruim, muito ruim, desde o primeiro dia do ano, quando eu trabalhava em um lugar que não me agradava, até a total decepção com a universidade, justamente no ano em que mais me ansiava, pois finalmente chegava o momento, pensava eu, de botar a mão na massa, mas me fudi. Professores picaretas, aulas chinfrins, equipamento medíocre e uma puta má vontade dos funcionários me levaram a concluir que é na picaretagem que se leva um curso a sério. Desisti de freqüentar as aulas, fiz os trabalhos nas coxas e finalmente chego ao quarto ano, quando finalmente vou fazer o que realmente quero. Sei que serei demasiadamente estressante, mas o que me alegra é ter adiantado um monte de disciplinas insuportáveis que a turma vai ter que agüentar, como legislação e ética no jornalismo e as péssimas disciplinas optativas. Valeu a pena acordar 5h30 da manhã em plena sexta-feira pra assistir aula de Gêneros às 7h30 pois, além de ter tido aula com a sempre elegante e sensacional Nani, livrei-me dessa matéria no ano que vem. Mais tempo pra cuidar de mim, ver novela, bebericar com os amigos no bar e não se estressar com o horário do metrô.

 

No viés cinematográfico da coisa, o ano até que foi bom, com exceção da minha total broxação com a Mostra BR de Cinema. Bons filmes, mas nada que tenha me surpreendido tanto, com exceção de ter ficado boquiaberto com a excelência de CACHÉ, grande obra divisora de águas da carreira de Michael Haneke, diretor que até então não me agradava tanto assim. Posso ter até exagerado no termo “divisor de águas” mas, conhecendo razoavelmente a obra do diretor, para mim ele chegou ao ponto mais cristalino de suas críticas virulentas e agressivas contra o preconceito racial, as desigualdades sociais, a xenofobia, a massificação cultural e a forte influência da mídia no comportamento das sociedades contemporâneas. Nada melhor que colocar a França como palco de tantas discussões problemáticas, justamente em um período em que a parte pobre, desprezada e maltratada de Paris resolveu dar o troco ao nariz empinado dos parisienses com destruições e incêndios. Para mim, foi o grande filme do ano, além de ser a obra que me fez prestar mais atenção na obra de Haneke e interpretá-la melhor. Com exceção do insuportável FUNNY GAMES, filme que até hoje é difícil engolir.

 

Fora isso, outra grande surpresa foi o belo e grande MUNIQUE, de Steven Spielberg. O diretor finalmente começa a mostrar porque é considerado um dos grandões do cinema americano, não por suas megalomanias exageradas (que de certa parte também têm seu mérito), mas por demonstrar que é um diretor ponta firme e sacudo por ter tocado em um ponto crucial tão difícil na atualidade, assim como é mostrado no filme de Haneke: a intolerância. Ainda mais no período em que George W. Bush faz um segundo e (ainda mais) medíocre mandato, transformando o Iraque numa matalança sem fim, tanto de civis iraquianos quanto de soldados ianques. Além disso, MUNIQUE nos mostra que pagar com a mesma moeda, ou a mesma gosta de sangue, não leva a nada. Outros grandes pontos fortes do filme são a emocionante trilha sonora, seqüências violentas muito bem conduzidas – como o tiroteio na vila olímpica, a explosão no hotel e a morte da assassina profissional nua – e o belíssimo final. E nada de grandes estrelas no elenco. Eric Bana, mesmo tendo feito HULK de Ang Lee anos atrás, não é o que se pode dizer de big star, e o cara fez um bom trabalho.

 

Na seqüência, o belo e tristíssimo O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN, de Ang Lee. Para mim, se o filme tivesse levado o Oscar de filme do ano seria um grande avanço para a conservadora Academia, mas fiquei imaginando a reação dos velhinhos votantes ao ver as cenas de beijo entre dois machões gostosões, com direto a uma cena de sexo numa barraquinha no meio das montanhas. Mas o filme não é só isso. É uma pobreza de espírito reduzi-lo a um western gay como mostraram todos os jornais e revistas.  É compreensível o frisson que o filme causou no universo GLS, com notas diárias em sites como Mix Brasil, GLX e afins, voltados para a temática, mas não se pode interpretar o filme apenas como uma história de amor entre dois machões em uma região extremamente conservadora dos Estados Unidos, como o meio-oeste. O filme traz à luz a homossexualidade que sempre permeou o gênero e muitos se recusam a enxergar. Basta observar atentamente a obras como BUTCH CASSIDY e RIO VERMELHO. Assistam, depois me contem.

 

No entanto, a belíssima obra de Ang Lee fala sobre o conservadorismo arraigado na região mais problemática dos Estados Unidos em termos de preconceito, relações humanas e até políticas. Afinal, de onde veio o atual presidente da wild america? O filme fez um sucesso inesperado na região, que nem o diretor e nem os distribuidores imaginavam. Mesmo não sendo gays, as pessoas se identificaram com a dificuldade dos personagens em se relacionar, tanto pelo peso da cultura local, como pelas imposições sociais fincadas no tradicionalismo extremo. Além disso, foi a grande oportunidade que o ótimo (e gatíssimo) ator Heath Leadger teve de mostrar ao público que é um excelente ator.

 



Escrito por fernando roveri (muzzleman) às 14h41
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 COMENTÁRIOS – Parte 2

 

E de todos esses remakes de filmes de horror feitos na atualidade, The Fog nem passou perto de nossas telas, indo direto para o devedê. Minha vontade de ver era mínima, e olha que o The Fog original é um dos meus filmes preferidos, um dos melhores de Carpenter na minha opinião (atrás de The Thing, entre os filmes de horror por ele dirigidos). Não entendo o porquê de não terem passado nas telonas, certamente atrairia um público razoável, já que os atores principais são Tom Welling, o desenxabido ator de Smallville, e Selma Blair, que muitos cuecas adoram. Não vi e nem tenho vontade, prefiro ver o original de 1980 que até hoje me impressiona. E apesar do título horroroso que lhe deram por aqui, MENINA MÁ.COM já está na lista dos filmes de destaque do ano.

 

Mas fiquei realmente passado com A VIAGEM MALDITA, de Alexandre Aja, o grande revival de QUADRILHA DE SÁDICOS. Que PUTA filme, que PUTA seqüências violentas, que PUTA trilha. Já havia gostado muito de ALTA TENSÃO, exibido na Sessão Comodoro no início do ano e lançado em devedê meses depois. Ao lado de Rob Zombie, este é um diretor que promete no cinema de horror.

E por falar em Rob Zombie, o que é aquele esplêndido REJEITADOS PELO DIABO? Um dos melhores do ano, sem dúvida, mesmo tendo saído direto em devedê. Seu primeiro filme, A CASA DOS 1000 CORPOS, tem algumas irregularidades, mas tinha um quê de atrevido, e Zombie estava apenas começando suas experiências no longa, pois antes só havia dirigidos seus videoclipes e os de sua finada banda White Zombie. Ele utilizou os mesmos personagens e fez o road movie mais infernal dos últimos tempos do cinema americano. Para contrapor as violentas e sanguinolentas seqüências, a trilha sonora tem Allman Brothers, Lynyrd Skynard, Otis Rush e o grande Muddy Waters, um dos maiores guitarristas de blues da música americana. Do ótimo elenco, destaque para o tudo de bom Bill Moseley, que soube imprimir ironia, humor, irreverência sem abandonar o lado sinistro do personagem. Delicious. Agora é só esperar o remake de HALLOWEEN. E como sei que Rob Zombie é um cara inteligente e talentoso – tanto na música como no cinema – sei que ele não fará merda com o clássico slasher do Carpinteiro. Quem viver verá.

E Guillermo Del Toro deve mesmo seguir carreira longe dos estúdios americanos. Não que seus filmes feitos na terra do Tio Sam sejam ruins, mas é longe de lá que ele pode voar alto com suas asas de Ícaro sem que os holofotes de Hollywood as derretam. O LABIRINTO DO FAUNO me deixou boquiaberto. Sem palavras. Puta que pariu, que filme lindo.

Há, ainda, filmes que gostei muito e os incluo entre os melhores, como O CÉU DE SUELY, OS INFILTRADOS, O ARCO, PEQUENA MISS SUNSHINE etc., mas esses primeiros receberam um destaque maior para falar a respeito. Gostei de VOLVER, mas não me empolguei tanto assim, para mim é apenas um bom filme da fase mais amena de Almodóvar. Seu filme anterior, MÁ EDUCAÇÃO, é muito melhor.

 



Escrito por fernando roveri (muzzleman) às 14h39
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